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Governo do Estado de Alagoas

 

 

Quarta, 02 Setembro 2020 10:27

MACEIÓ

Grotas: ONU-Habitat e Governo selecionam jovens para projeto de comunicação sobre a Covid

Iniciativa de monitoramento e resposta rápida à pandemia vai engajar representantes de comunidades da capital na conscientização da população

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Grotas: ONU-Habitat e Governo selecionam jovens para projeto de comunicação sobre a Covid Márcio Ferreira
Texto de Agência Alagoas

Desde o último dia 17 de julho, o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e o Governo de Alagoas iniciaram um projeto de monitoramento e resposta rápida à Covid-19 nas grotas de Maceió. Com dois componentes principais – sendo o primeiro o levantamento de informações junto a moradores e lideranças comunitárias por meio de pesquisa telefônica –, a iniciativa estreou na última quarta-feira (02) o segundo componente, cujo foco mira na comunicação e no engajamento comunitário de um público bem especial: a juventude.

Nove representantes de nove comunidades foram selecionados para participar de oficinas virtuais para troca de percepções e experiências sobre a pandemia, e também para a criação de conteúdos de comunicação para conscientização e difusão de informações acerca da COVID-19. Os jovens residem nas grotas do Arroz, Boa Esperança, Piabas, Rafael, Santa Helena, Ary, Vale do Reginaldo, José Laranjeiras e no Beco da Morte, localizado no bairro do Benedito Bentes.

“O objetivo é trabalhar com jovens dessas comunidades para que produzam conhecimento com a linguagem que utilizam – deles e para eles mesmos – para que a gente possa ampliar os conhecimentos das medidas preventivas, de como a grota está se comportando frente à COVID-19 e o que as pessoas podem fazer diante da pandemia”, explica Rayne Ferretti Moraes, Oficial Nacional do ONU-Habitat para o Brasil.

Já as mais de 4 mil entrevistas que estão sendo realizadas em três etapas desde julho pelo projeto servirão de base para o diagnóstico das condições sanitárias e socioeconômicas dos moradores das grotas – auxiliando o poder público na formulação de soluções emergenciais, políticas e projetos de sustentabilidade para melhorar as condições de vida da população nessas localidades.

O projeto é o único brasileiro selecionado entre 56 propostas pelo fundo emergencial do ONU-Habitat para atividades de apoio e resposta à Covid-19.

A seleção simplificada, feita pela equipe local do ONU-Habitat com auxílio de uma equipe de apoio contratada, formada por uma mobilizadora social, um comunicador social e três tutores selecionou jovens com idade entre 16 e 28 anos. Os jovens selecionados demonstraram desenvoltura na produção do vídeo de apresentação feito nas grotas onde moram e conhecimento geral sobre a pandemia da COVID-19.

“A equipe de apoio já possuía uma rede de contatos ou atuação em áreas de grotas e identificaram mais rapidamente jovens que se adequaram a alguns critérios pré-definidos, como preferencialmente ter idade maior que 18 anos, possuir computador ou celular e acesso à internet, uma vez que todos os contatos serão online”, justifica Paula Zacarias, Analista de Programas do escritório do ONU-Habitat em Alagoas.

Impactos e percepções

Ao todo, estão previstos cinco encontros, em que todos vão interagir no ambiente mais seguro em tempos de pandemia: o virtual.

A primeira reunião, ocorrida na última quarta-feira (02), foi para apresentações gerais – do projeto, da equipe e dos participantes. Além dela, acontecerão quatro oficinas de comunicação popular com periodicidade quinzenal. Cada oficina abordará um tema, que deverá ser, em seguida, registrado pelos participantes por meio de foto, áudio e vídeo.

“Será uma troca, uma conversa, levantando essas percepções. Depois disso, eles terão um tempo para registrar em foto e vídeo o tema que foi discutido”, adianta Paula Zacarias, do ONU-Habitat.

Na quinta-feira (03), na data da primeira oficina, intitulada: “Eita, que vírus é esse?”. A ideia foi debater os conhecimentos gerais sobre a COVID-19 e as percepções sobre a pandemia. No encontro seguinte, o tema será: “A pandemia na minha quebrada”, sobre a percepção da garotada a partir de aspectos relacionados à infraestrutura da comunidade e os impactos socioeconômicos nas grotas durante a pandemia.

Na terceira oficina, “Minha grota é massa”, a ideia é identificar as potencialidades humanas, culturais e socioeconômicas da comunidade. “O que eles mais gostam na grota? Tem quadra, pracinha, igreja ou trabalho social sendo realizado? Quais as vocações [artísticas e profissionais] das pessoas que eles conhecem que moram na grotas? Enfim, identificar aspectos positivos que certamente existem nessas comunidades, mas nem sempre recebem reconhecimento e visibilidade”, exemplifica a Analista.

No quarto e último momento – “Um futuro urbano melhor” –, o projeto lança o slogan do ONU-Habitat para extrair da juventude a sua perspectiva de futuro. O que é um futuro urbano melhor para as grotas de Maceió?

“Ao final, editaremos todos os materiais recebidos, faremos os ajustes necessários e iremos gerar um documentário”, revela Paula Zacarias.

Nessa etapa, haverá um intercâmbio virtual entre jovens de comunidades de outros lugares, como Rio de Janeiro e países da África lusófona (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), onde projetos semelhantes também vêm sendo desenvolvidos pelo ONU-Habitat. “Queremos acompanhar, fazer comparações, tirar lições e promover cooperação com outros países lusófonos no mundo, como Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Princípe”, assegura Alain Grimard, Oficial Sênior Internacional do ONU-Habitat para o Brasil e Cone Sul.

Para acompanhar os momentos desse segundo componente do projeto, basta seguir o perfil @visaodasgrotas no Instagram.