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Governo do Estado de Alagoas
Terça, 19 Dezembro 2017 08:51
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Fapeal apoia pesquisa que mapeia fibromialgia em Maceió

Através de um Pibic desenvolvido na Uncisal, projeto analisou 36 pacientes, entre SUS e atendimento privado, construindo um perfil da doença em Alagoas

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Professora Quitéria Rocha conduziu estudo inovador sobre fibromialgia e contou com o auxílio do estudante Alexandre Otilio Professora Quitéria Rocha conduziu estudo inovador sobre fibromialgia e contou com o auxílio do estudante Alexandre Otilio Ascom
Texto de Tárcila Cabral

A fibromialgia é uma dor crônica que, segundo a Revista Brasileira de Reumatologia, atinge, atualmente, 2,5% da população brasileira e tem ascendido nos índices mundiais. Isto reflete diretamente na necessidade de promover pesquisas que procurem analisar as condições deste grupo.

 

Para entender qual o perfil deste paciente e produzir um mapeamento estadual, a professora do curso de medicina da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) Quitéria Rocha conduziu um estudo inovador. Seu projeto intitulado “O perfil de pacientes com fibromialgia na cidade de Maceió” foi apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e contou com o auxílio do estudante da graduação Alexandre Otilio.

 

O projeto obteve o apoio da Fapeal durante o ano de 2016.

 

Patologia


A fibromialgia faz o indivíduo sentir dores difusas. Um dos desafios é a complexidade no diagnóstico, em qual são enquadrados erroneamente com fibromialgia pacientes com dores miofasciais, que seriam uma tensão em um grupo de músculos específico.


A doença é mais observada quando o indivíduo começa a ter dificuldades nas suas atividades do dia a dia: sente dores para realizar caminhadas e tarefas domésticas e isto vai interferir normalmente no seu humor, além de poder provocar distúrbios ansiosos ou dificuldades no sono. Estes foram os sintomas mais recorrentes listados pelos 36 entrevistados ao longo do processo de pesquisa.

 

A dupla fez avaliações com o intuito de produzir um banco de dados e índices para compor o quadro destes pacientes, abordando três questionários: um sócio-demográfico para saber o perfil das pessoas com dados acerca da escolaridade, renda mensal, estado civil, etc; outro foi sobre o impacto da fibromialgia, chamado de FIC, que analisa o grau de dores e estresse provocado, perguntando se a pessoa é capaz de realizar atividades rotineiras, como ir à rua fazer compras ou subir escadas. O último questionário foi o de intensidade da dor, classificando a dor numa escala de 0 a 10.

 

 

A análise trabalhou num contexto com dois grupos específicos: o grupo do Sistema Único de Saúde (SUS), e o grupo de atendimento privado. A amostra do grupo SUS foi menor, porque foi notada uma dificuldade para se conseguir indivíduos com diagnósticos fechados com a fibromialgia no Estado, pois a maioria só possuía o indicativo médico para a disfunção. Já no grupo privado foram constatadas pessoas com o diagnóstico de mais de 20 anos.

 

A pesquisa

 

Para entender a intensidade desta doença, o questionário de impacto da fibromialgia trazia perguntas sobre as suas rotinas e atividades. Quando abordados se após uma noite de sono eles acordavam descansados, a maioria dos indivíduos relatava que quando despertavam se sentia cheio de dores, cansados e, por conta disso, estas pessoas desenvolviam ansiedade e depressão. O fato de não conseguirem obter um sono com qualidade e fazer as suas tarefas diárias agravam os sintomas, portanto é relevante frisar a necessidade de acompanhamento para outras condições médicas durante o processo.

 

Causas

 

Ao buscar referências para desvendar a origem deste complexo, a dupla cita que, por esta ser uma síndrome multifatorial, não se sabe ao certo o que causa a fibromialgia. Porém, entende-se que ela é resultado de alterações de heranças genéticas e também de uma predisposição, onde o meio inserido também interfere.


Através do estudo da literatura e das entrevistas realizadas, foi evidenciado que estes casos são observados normalmente em mulheres e naquelas que apresentam problemas emocionais mais graves. Em Maceió esta incidência ficou comprovada onde a maioria dos pacientes é do gênero feminino, com a faixa etária entre 45 e 55 anos, sendo apenas um único entrevistado do gênero masculino.

 

O grupo SUS é inclusive o que absorve mais o impacto das complicações, sofrendo pelo difícil acesso a tratamentos adicionais, especialmente porque esta doença é incapacitante em muitos casos. As situações de risco para estes pacientes são frequentemente abordadas como fatores de estresse ou causas emocionais, que se condicionados à falta de tratamento podem ampliar as crises.


O resultado mostrou ainda que o grupo privado tem a sua disponibilidade um leque de tratamentos diferenciados para fornecer uma melhora e qualidade de vida superior. Estes pacientes fazem pilates, fisioterapia, hidroterapia, tratamento farmacológico adequado e, portanto, lidam com um impacto menor.

 

A professora ressalta que esta doença consegue ser controlada, mas não estacionada. “Estes pacientes passam um período relativamente bem e depois pioram e oscilam neste quadro. Existe a parte medicamentosa, a questão física que atua, mas a terapia é igualmente importante porque o psicólogo contribui internamente”, frisa a pesquisadora.

 

A doutora Quitéria Rocha explica que já surgiram diversas drogas que normalmente funcionam para um grupo específico de pacientes, porém com outros elas não conseguem ter resultados mais efetivos.

 

A profissional lembra que é preciso não confundir a doença e o desânimo causado por ela como histeria, a fibromialgia é real e deve ser entendida dignamente. Apesar do contexto familiar ou de pessoas próximas duvidarem do estado destes pacientes, por não verificarem motivos aparentes para o acometimento das dores, o diagnóstico é concreto e debilita os pacientes.