Notícias

AGÊNCIA ALAGOAS

Governo do Estado de Alagoas
Terça, 17 Outubro 2017 17:36
Atenção!

Médico do HGE alerta sobre excesso de sódio na alimentação

Ingerir alimentos ricos em sal de cozinha pode ocasionar problemas cardiovasculares e renais

Compartilhe:

  • Facebook
  • Twitter
Consumo excessivo de sal está diretamente relacionado com o surgimento de casos de hipertensão, entre outras doenças Consumo excessivo de sal está diretamente relacionado com o surgimento de casos de hipertensão, entre outras doenças (Fotos: Carla Cleto)
Texto de Neide Brandão

Em casa, sozinho, ele sentiu fortes dores no peito e desmaiou. Teve um infarto agudo do miocárdio e agora está internado na Unidade de Dor Torácica (UDT) do Hospital Geral do Estado (HGE), onde deve passar por um cateterismo. Esta é uma parte da história do motorista aposentado Cícero Ferreira, de 78 anos.

 

Como a maioria das pessoas, Cícero Ferreira não estava muito atento aos cuidados com a sua saúde, imaginava que sua pressão arterial estava em ordem e nunca se preocupou com a quantidade de sódio que ingeria diariamente.

 

Diante das histórias como essa, especialistas recomendam atenção com a alimentação e a prática de atividades físicas para evitar doenças relacionadas com o uso em excesso do sódio. Segundo o cardiologista Alex Vieira, as principais patologias em que o excesso de sal vai impactar negativamente são a hipertensão e a insuficiência cardíaca.

 

(Fotos: Carla Cleto)

 

“O consumo excessivo de sal está diretamente relacionado com o surgimento de casos de hipertensão. O que não significa dizer que o paciente tem que tirar o sal de uma vez da dieta. O sódio é o responsável pelo controle do volume dos nossos líquidos corpóreos e pela regulação da pressão arterial, sendo, portanto, fundamental para o funcionamento do corpo. O consumo excessivo desse produto é que pode ocasionar problemas graves, uma vez que afeta o nosso equilíbrio interno”, explicou.

 

De acordo com o cardiologista, pacientes com doenças crônicas como a hipertensão e a insuficiência cardíaca, que possuem um cunho progressivo, precisam ter a ciência que nada em excesso faz bem.

 

“Eles devem seguir, basicamente, os três pilares recomendados, que são a dieta, com restrição salina individualizada, atividade física e terapia medicamentosa. Os três pilares devem ser seguidos juntos para o sucesso do tratamento”, alertou Alex Vieira.

 

Elevação da pressão

 

A elevação da pressão arterial ocorre porque, quando o sal chega à corrente sanguínea, uma grande alteração no equilíbrio dos líquidos internos acontece, segundo o especialista.

 

“O excesso da substância leva à retenção de água e a uma sobrecarga no coração, ocasionando o aumento de pressão, o pode desencadear danos graves à saúde, inclusive a morte. A hipertensão pode, por exemplo, lesionar vasos, desencadear doença renal crônica e causar infartos e acidentes vasculares encefálicos, chamados popularmente de derrames”.

 

Além de afetar o sistema cardiovascular, o excesso de sal no organismo pode ocasionar problemas nos rins, levando ao comprometimento do órgão. A grande quantidade de sal pode provocar dificuldades de eliminação dessa substância e, consequentemente, o acúmulo no organismo, o que pode resultar em cálculos renais. Alguns estudos indicam, ainda, que o excesso de sal na alimentação pode provocar doenças autoimunes, como é o caso da esclerose múltipla.

 

Retenção de Líquido

 

A nutricionista Ivete Oliveira, acrescentou que a ingestão de alimentos ricos em sódio pode desencadear, além dos sérios danos à saúde citados, a retenção de líquidos, tão incômoda para o sexo feminino.

 

“A principal fonte de sódio é o sal de cozinha, mas ele está presente em muitos outros alimentos, sejam naturais ou industrializados, pois é um conservante natural. A quantidade de sal recomendada são cinco gramas, no entanto, o brasileiro come muito mais que isto”, salientou.

 

Alimentação mais natural

 

Com o consumo de produtos industrializados, ingerir cinco gramas de sal é uma tarefa razoavelmente fácil. Batatas fritas e batata palha, pão francês, bolos prontos, misturas para bolos, salgadinhos de milho, maionese e biscoitos (doces ou salgados) são exemplos de alimentos industrializados com grande quantidade de sódio.

 

Para se ter uma ideia, o macarrão instantâneo possui mais de mil miligramas, quase 72% do recomendado. “A dica principal é evitar os alimentos industrializados. Com uma variedade tão grande de produtos naturais, uma feira livre onde se pode consumir alimentos ‘in natura’, por que optar por alimentos industrializados? Vamos diversificar nossa alimentação”, recomendou.

 

A nutricionista lembrou ainda que a ingestão de líquidos auxilia na eliminação do sódio em excesso pela urina e o suor. “Tomar bastante água ajuda a eliminar as toxinas e o sódio em excesso; dois litros já é suficiente. Em casos de idosos e crianças, os responsáveis devem lembrar ou até mesmo levar um copo mesmo se não indicarem ter sede”, afirmou.

 

Ivete Oliveira também sugeriu o uso de ervas na elaboração das receitas. “As ervas dão um sabor especial aos alimentos. Com elas é possível evitar o sal em excesso e saborear os alimentos de uma forma especial, da mesma forma o limão. A acidez dele vai deixar o alimento com um sabor melhorado. Alecrim, páprica, açafrão, orégano, entre outras tantas variedades, podem ser utilizadas. Elas, além de potencializar o sabor dos alimentos, vão oferecer boa saúde”, destacou.