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AGÊNCIA ALAGOAS

Governo do Estado de Alagoas
Sexta, 06 Outubro 2017 19:26
8ª Bienal

Imprensa Oficial Graciliano Ramos lança Dê (lírios) Intranquilos, do poeta lajense Alexsandro Alves

Autor, radicado em Teotônio Vilela, faz parte do grupo Projeto Artístico Insano Orgasmático Literário (Paiol).

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Noite de autógrafos de seu segundo livro será realizada neste sábado (07/10), às 20h, no estande da editora na 8ª Bienal do Livro de Alagoas Noite de autógrafos de seu segundo livro será realizada neste sábado (07/10), às 20h, no estande da editora na 8ª Bienal do Livro de Alagoas Divulgação
Texto de Patrycia Monteiro

Inquietação é o sentimento que permeia a maioria dos versos de autoria de Alexsandro Alves, reunidos no livro Dê(lírios) Intranquilos que será lançado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos neste sábado (7/10), às 20h, no estande da editora na 8ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas.

 

Visceral, a lírica do jovem poeta de 34 anos, discorre sobre tudo aquilo que desacomoda, que  causa desassossego: o amor, a morte, a realidade política e social... Sem medo de ser excessivo ou frenético, ele expõe suas revoltas e iras contra as injustiças da vida e contra as dores inevitáveis do existir.

 

Dê(lírios) Intranquilos é o segundo livro deste professor nascido em São José da Laje, casado, pai e sonhador – como gosta de se definir.  Alexsandro Alves é integrante do grupo Projeto Artístico Insano Orgasmático Literário (Paiol), de Teotônio Vilela. Através do incentivo do grupo – que fomenta a produção cultural do município vilelense – ele lançou seu primeiro livro de poesia, intitulado Paragens, em 2014.

 

Segundo Alves, o desejo de escrever surgiu em 2003, a partir das aulas de literatura do também professor (e amigo), escritor Marlon Silva. “Compreendi, pela escrita, ser possível resgatar, reivindicar a minha existência. No ato da escrita existe algo gritando aos ouvidos do mundo: ‘Estou aqui. Escrevo, penso, consequentemente, existo’”, afirma, mencionando ser devoto de vários autores, entre eles, João Cabral de Melo Neto, Lêdo Ivo, Graciliano Ramos, Arthur Rimbaud, Carlos Drummond de Andrade e Friedrich Nietzsche.

 

De mente fecunda e criativa, Alexsandro Alves já está concluindo o terceiro livro de poesia, mas promete enveredar pela prosa dentro em breve. Para ele, o papel do escritor na sociedade contemporânea é o de trazer luz onde há trevas. “O escritor se equipara Titã Prometeu que roubou o fogo dos Deuses, repassando-o aos humanos. É função do escritor incendiar, flamejar a sociedade. No exemplo grego o simbolismo do fogo pode representar a luz, o conhecimento e a esperança, algo que pode ser compreendido como o questionamento, a desestabilização dos poderes pré-estabelecidos”, reflete.

 

Confira um dos poemas de Dê(lírios) Intranquilos: 

Fa-Lanças

Eles falam,

Falam e nada falam.

Falam o não-falar.

 

Falam as leis:

Falam o foro;

Falam o povo;

Ora, por que o povo não aparece em suas falas?

Por que eles não se parecem com o povo?

No seu falar tanto e nada falar,

Eu inutilmente tento me falar.

 

Falar das falácias em suas falas.

Falar que o povo falece na marca de sua fala não falada.

Falar das facadas à Constituição.

 

Os privados da força da fala,

Aqueles que nunca falarão,

Que levam seu sonho à faca,

Veem no verbo a sua mais flácida fábula.

 

Eles, os forjados de fala que não fala,

Falantes falsos,

Falam não falando.

Confabulam falcatruas no seu não-falando eterno falar.

Falar sem falar é facão,

Ousa falar-me meu portátil furacão.

  

Falam-me infortúnio por não falar.

Mas agora hei de falar-lhes:

Os que falam – no entanto – falam nada,

Furtaram até minhas falas,

Minhas frouxas,

Efêmeras frases fatigadas.