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AGÊNCIA ALAGOAS

Governo do Estado de Alagoas
Sexta, 01 Setembro 2017 09:44
EM BUSCA DE JUSTIÇA

Comissão da Verdade conclui 6 mortes e 3 desaparecimentos

Relatório, entregue ao Gabinete Civil, aponta episódios ocorridos na época da ditadura. Ao todo, 64 depoimentos foram ouvidos pela Comissão.

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Outro membro da comissão, Marivone Loureiro foi presa política e torturada no ano de 1968, quando fazia parte de movimento estudantil Outro membro da comissão, Marivone Loureiro foi presa política e torturada no ano de 1968, quando fazia parte de movimento estudantil André Palmeira
Texto de Marina Ferro

A Comissão Estadual da Memória e Verdade Jayme Miranda entregou ao Governo do Estado, na quinta-feira (31), um relatório parcial de depoimentos, pesquisas e análises de histórias de mortes e desaparecimentos de alagoanos durante o período da ditadura militar. Segundo a componente da Comissão, Alba Gouveia, histórias que nunca foram descobertas, famílias que ainda anseiam por notícias reais de parentes desaparecidos, foram o foco de pesquisas dos sete membros da Comissão desde 2013.


Ela ainda explicou que o conteúdo do relatório são os crimes cometidos contra os direitos humanos na época da ditadura militar, que teve início em 1964. “Nós temos seis mortos e três desaparecidos em Alagoas. Ouvimos 64 depoimentos formais, presos políticos ou familiares dos que foram mortos. A sociedade merece que o Estado preste contas do que foi feito no passado”.


Os seis alagoanos mortos foram Odijas Carvalho de Souza, José Dalmo Guimarães Lins, José Gomes Teixeira, Gastone Lúcia de Carvalho Beltrão, Manoel Lisboa de Moura e Manoel Fiel Filho. As mortes ocorreram no Rio de Janeiro, São Paulo e Recife.


“Os trabalhos não foram concluídos, por isso estamos entregando um relatório parcial. Nosso prazo se encerrou hoje e viemos fazer a entrega formal, mas queremos continuar fazendo a apuração dessas histórias”, comentou Alba Correia.

 

 


Militância de Marivone Loureiro


Outro membro da comissão, Marivone Loureiro foi presa política e torturada no ano de 1968, quando fazia parte de movimento estudantil.“Comecei a me engajar na luta contra a ditadura ainda na faculdade, em Recife. Fui muito perseguida, a ponto de não ter mais condições de estudar ou trabalhar; precisei mudar de cidade diversas vezes. Durante essa situação, me casei com Odijas Carvalho, que também era militante. Passamos a morar de forma clandestina em alguns lugares, até que, durante uma viagem que fiz, ele foi pego em Maria Farinha [Pernambuco], preso e torturado até a morte, em 1971”, relatou Alba.


Ela ainda contou que, após a prisão do marido, foi presa pelos militares e torturada durante um interrogatório. “A cada negativa, recebia socos no peito, rosto, na coxa, passei uma tarde sendo espancada. Essa época descobri que Odijas havia morrido, depois de 20 dias presa. Foram momentos de terror, mas hoje consegui reconstruir minha vida. Lutei pela redemocratização e faço parte dos movimentos dos direitos humanos”, concluiu Marivone.